ODISSEU E O CAVALO DE TROIA
Enviado: Qua Jul 29, 2026 9:12 pm
Eu sou uma espécie de Odisseu dos fóruns. Atravessei guerras antigas, destituí administradores de fóruns de outros tempos, sobrevivi a outros, superei tempestades virtuais e incontáveis campanhas de difamação. E, apesar de todas elas, continuo de pé. Não porque seja invencível, mas porque aprendi, há muito tempo, que a verdade é a espada mais difícil de ser derrotada. Mentiras podem produzir barulho; a verdade produz permanência. É por isso que tantas tentativas de me destruir fracassaram.
A mais recente apenas confirmou aquilo que eu já sabia: a coragem é rara, mas a covardia encontra multidões e esconderijos. Não darei protagonismo aos personagens desse enredo, porque muitos deles são pequenos demais para merecer palco no meu teatro. São figuras que jamais tiveram disposição para um confronto franco, preferindo o conforto do teclado, onde a fantasia costuma ser mais conveniente que os fatos.
Entre eles está um forista que costumo chamar, em tom de ironia, de "Rafa 6boca". Diz conhecer minha história há anos, desde 2008, como se a simples presença em um mesmo fórum transformasse um desconhecido em testemunha da vida alheia. Nunca convivemos. Nunca caminhamos juntos. Nunca fez parte do meu círculo de amizades. Nunca tive qualquer interesse em aproximar-me dele. Sua presença em um lançamento de meu primeiro livro ocorreu por iniciativa exclusivamente dele, não por um convite pessoal meu. Ainda assim, apresenta-se como alguém capaz de falar sobre quem eu sou. Esse contraste entre a distância dos fatos e a segurança das afirmações diz muito mais sobre quem acusa do que sobre o acusado. A falsidade é vergonha imperdoável para um velho que nutria amores patéticos por atrizes pornôs.
Li, com uma mistura de curiosidade e divertimento, a coletânea de comentários a meu respeito. Não me surpreendeu. Sempre que alguém escreve durante muitos anos, expõe opiniões e ocupa espaço, acaba despertando admiração em alguns e antipatia em outros. Isso faz parte da vida.
O curioso não são as críticas. São as acusações. Acusações que entregam um recalque incurável, uma mágoa pelo talento, pela visibilidade, por tudo que não possuem e por isso querem destruir.
Percebi que há quem afirme me conhecer profundamente. Um deles, por exemplo, apresenta-se como alguém capaz de analisar minha personalidade, minhas intenções e minha trajetória. Estranho. Como alguém pode conhecer tão bem uma pessoa cuja companhia jamais desfrutou?
Existe uma diferença gigantesca entre observar alguém através de uma tela e conhecer alguém de verdade.
Esse tipo de convicção costuma nascer menos da experiência e mais da imaginação.
Há outro aspecto que me chama atenção. Grande parte dos que hoje repetem essas acusações parece apenas dar continuidade a uma tentativa de linchamento moral iniciada meses atrás por um administrador que hoje está eternamente ausente. Enquanto ele ocupava aquele espaço, havia uma narrativa oficial. Bastava reproduzi-la. Não era necessário pensar, investigar ou verificar os fatos. Bastava repetir.
E o roteiro era invariavelmente o mesmo.
Qualquer um que ousasse contrariá-lo recebia imediatamente o mesmo carimbo.
"É um babaca."
"Está queimado com as meninas."
"Vive se fazendo de vítima."
A tragédia é que o que ele falava sobre mim também falava daqueles que o seguiam submissos, da pequena quadrilha de alcoviteiros rindo como hienas diante da carniça, a eles também punia com mentiras e com intrigas junto às jagunças que manipulava.
Era impressionante a ausência de criatividade. Mudavam apenas os nomes dos acusados. As frases eram sempre as mesmas. Pareciam saídas de um manual distribuído aos fiéis replicantes.
Hoje resta um vazio.
Acabou o centro irradiador dessas histórias.
Acabou a possibilidade da bajulação.
E, sem aquele personagem alimentando diariamente as intrigas, muitos parecem não saber mais como sustentar a velha narrativa. Restaram apenas ecos. Repetições automáticas. Frases decoradas que perderam até o autor original.
Sempre enxerguei naquele comportamento muito mais um habilidoso arquivista de intrigas do que qualquer outra coisa. Alguém que cultivava uma imagem de estrategista, manipulando versões, distribuindo rótulos e estimulando conflitos como se conduzisse um pequeno teatro. Havia quem confundisse isso com liderança. Eu via apenas um contador de histórias que gostava de exercer poder sobre a opinião alheia.
O problema é que narrativas não substituem provas.
E é justamente aí que toda essa construção começa a ruir.
Outra acusação recorrente é a de que eu estaria "queimado" com as mulheres.
Muito bem.
Faço apenas uma pergunta.
Onde estão essas mulheres?
Não peço dez nomes.
Não peço cinco.
Peço apenas uma.
Uma única mulher que venha, espontaneamente, confirmar essa narrativa.
Não existe.
Em vez disso, oferecem frases vagas, "todo mundo sabe", "ouvi dizer", "conheço casos", "as meninas comentam". Sempre a mesma fórmula. Sempre a mesma névoa. Nunca um fato verificável.
Quem acusa tem o dever moral de demonstrar. Não à toa ele próprio chamava suas mentiras fabricadas de “fofoca”. Quando nem um único exemplo concreto consegue ser apresentado, resta apenas aquilo que sempre existiu: boato.
Também me divertem certas observações literárias.
Alguns afirmam que eu me imaginava Nelson Rodrigues. Outros lembram Bukowski, sempre com a intenção de ridicularizar.
Suspeito, sinceramente, que muitos dos que fazem essas comparações jamais tenham lido um livro inteiro de Nelson Rodrigues ou de Charles Bukowski.
Nelson revolucionou o teatro e a crônica brasileira com diálogos cortantes, ironia e uma profunda investigação das contradições humanas. Bukowski construiu uma literatura autobiográfica, marginal, seca e brutalmente honesta. Nunca escrevi tentando ser nenhum dos dois.
Todo escritor carrega influências. Isso é natural. Quem lê muito inevitavelmente dialoga, consciente ou inconscientemente, com os autores que admira. Influência, entretanto, jamais significou pretensão.
Curiosamente, aqueles que pretendem diminuir meus textos acabam lhes atribuindo uma identidade suficientemente marcante para lembrá-los de autores consagrados. É uma crítica que se contradiz.
Outra coisa me chama atenção. Pouquíssimos falam efetivamente dos relatos. Preferem falar do autor.
Quando um debate abandona a obra e concentra fogo exclusivamente na pessoa que a produziu, normalmente não estamos diante de uma crítica.
Estamos diante de uma campanha pessoal.
É muito mais fácil destruir a reputação de quem escreve do que enfrentar aquilo que foi escrito.
Escrevo há décadas.
Milhares de relatos.
Milhares de leitores.
Amizades que permanecem até hoje.
Pessoas que me conhecem fora da internet.
Nenhuma dessas relações foi construída sobre boatos. Foi construída sobre convivência. Quem me conhece de verdade sabe exatamente quem sou. Quem não me conhece prefere acreditar em narrativas fabricadas por terceiros. Cada um faz a sua escolha.
Não escrevo para convencer quem decidiu me odiar antes mesmo de conhecer os fatos. Também não escrevo para disputar concurso de popularidade. Escrevo porque gosto de escrever.
No fim, o que realmente permanece é algo muito simples. Entre tantas acusações, não apareceu uma única prova objetiva. Não apareceu uma única mulher confirmando aquilo que dizem. Não apareceu um único fato irrefutável. Não apareceu uma única evidência capaz de sustentar toda essa construção. Sobrou apenas aquilo que sempre sobra quando a inveja encontra o anonimato.
Muito barulho.
Pouca inteligência.
Nenhuma prova.
E, como todo castelo erguido sobre calúnias, basta exigir evidências para que a estrutura inteira comece a desmoronar. Afinal, a verdade não precisa ser repetida cem vezes para existir. Já a mentira depende justamente disso: de repetição, plateia e memória curta. Quando desaparece o maestro da narrativa e os seus repetidores, sobra apenas o silêncio — e o silêncio costuma ser o lugar onde as calúnias finalmente morrem.
Eu poderia contar muitas histórias reais e feias sobre o propagador das mentiras, mas quando as mentiras morrem, melhor deixa-las sepultadas. Fica o alívio de não precisar mais conviver com elas.
Respiro com os pulmões livres e eufóricos por não integrar um antro de alcoviteiros (hoje apelidado de "Arebichas" pelas meninas) do qual eu saí por vontade própria, por ver a ideia que ofereci ao personagem agora eternamente ausente ser deturpada e transformada em um poço de baixezas morais.
Quem não tem mérito, tem raiva.
A mais recente apenas confirmou aquilo que eu já sabia: a coragem é rara, mas a covardia encontra multidões e esconderijos. Não darei protagonismo aos personagens desse enredo, porque muitos deles são pequenos demais para merecer palco no meu teatro. São figuras que jamais tiveram disposição para um confronto franco, preferindo o conforto do teclado, onde a fantasia costuma ser mais conveniente que os fatos.
Entre eles está um forista que costumo chamar, em tom de ironia, de "Rafa 6boca". Diz conhecer minha história há anos, desde 2008, como se a simples presença em um mesmo fórum transformasse um desconhecido em testemunha da vida alheia. Nunca convivemos. Nunca caminhamos juntos. Nunca fez parte do meu círculo de amizades. Nunca tive qualquer interesse em aproximar-me dele. Sua presença em um lançamento de meu primeiro livro ocorreu por iniciativa exclusivamente dele, não por um convite pessoal meu. Ainda assim, apresenta-se como alguém capaz de falar sobre quem eu sou. Esse contraste entre a distância dos fatos e a segurança das afirmações diz muito mais sobre quem acusa do que sobre o acusado. A falsidade é vergonha imperdoável para um velho que nutria amores patéticos por atrizes pornôs.
Li, com uma mistura de curiosidade e divertimento, a coletânea de comentários a meu respeito. Não me surpreendeu. Sempre que alguém escreve durante muitos anos, expõe opiniões e ocupa espaço, acaba despertando admiração em alguns e antipatia em outros. Isso faz parte da vida.
O curioso não são as críticas. São as acusações. Acusações que entregam um recalque incurável, uma mágoa pelo talento, pela visibilidade, por tudo que não possuem e por isso querem destruir.
Percebi que há quem afirme me conhecer profundamente. Um deles, por exemplo, apresenta-se como alguém capaz de analisar minha personalidade, minhas intenções e minha trajetória. Estranho. Como alguém pode conhecer tão bem uma pessoa cuja companhia jamais desfrutou?
Existe uma diferença gigantesca entre observar alguém através de uma tela e conhecer alguém de verdade.
Esse tipo de convicção costuma nascer menos da experiência e mais da imaginação.
Há outro aspecto que me chama atenção. Grande parte dos que hoje repetem essas acusações parece apenas dar continuidade a uma tentativa de linchamento moral iniciada meses atrás por um administrador que hoje está eternamente ausente. Enquanto ele ocupava aquele espaço, havia uma narrativa oficial. Bastava reproduzi-la. Não era necessário pensar, investigar ou verificar os fatos. Bastava repetir.
E o roteiro era invariavelmente o mesmo.
Qualquer um que ousasse contrariá-lo recebia imediatamente o mesmo carimbo.
"É um babaca."
"Está queimado com as meninas."
"Vive se fazendo de vítima."
A tragédia é que o que ele falava sobre mim também falava daqueles que o seguiam submissos, da pequena quadrilha de alcoviteiros rindo como hienas diante da carniça, a eles também punia com mentiras e com intrigas junto às jagunças que manipulava.
Era impressionante a ausência de criatividade. Mudavam apenas os nomes dos acusados. As frases eram sempre as mesmas. Pareciam saídas de um manual distribuído aos fiéis replicantes.
Hoje resta um vazio.
Acabou o centro irradiador dessas histórias.
Acabou a possibilidade da bajulação.
E, sem aquele personagem alimentando diariamente as intrigas, muitos parecem não saber mais como sustentar a velha narrativa. Restaram apenas ecos. Repetições automáticas. Frases decoradas que perderam até o autor original.
Sempre enxerguei naquele comportamento muito mais um habilidoso arquivista de intrigas do que qualquer outra coisa. Alguém que cultivava uma imagem de estrategista, manipulando versões, distribuindo rótulos e estimulando conflitos como se conduzisse um pequeno teatro. Havia quem confundisse isso com liderança. Eu via apenas um contador de histórias que gostava de exercer poder sobre a opinião alheia.
O problema é que narrativas não substituem provas.
E é justamente aí que toda essa construção começa a ruir.
Outra acusação recorrente é a de que eu estaria "queimado" com as mulheres.
Muito bem.
Faço apenas uma pergunta.
Onde estão essas mulheres?
Não peço dez nomes.
Não peço cinco.
Peço apenas uma.
Uma única mulher que venha, espontaneamente, confirmar essa narrativa.
Não existe.
Em vez disso, oferecem frases vagas, "todo mundo sabe", "ouvi dizer", "conheço casos", "as meninas comentam". Sempre a mesma fórmula. Sempre a mesma névoa. Nunca um fato verificável.
Quem acusa tem o dever moral de demonstrar. Não à toa ele próprio chamava suas mentiras fabricadas de “fofoca”. Quando nem um único exemplo concreto consegue ser apresentado, resta apenas aquilo que sempre existiu: boato.
Também me divertem certas observações literárias.
Alguns afirmam que eu me imaginava Nelson Rodrigues. Outros lembram Bukowski, sempre com a intenção de ridicularizar.
Suspeito, sinceramente, que muitos dos que fazem essas comparações jamais tenham lido um livro inteiro de Nelson Rodrigues ou de Charles Bukowski.
Nelson revolucionou o teatro e a crônica brasileira com diálogos cortantes, ironia e uma profunda investigação das contradições humanas. Bukowski construiu uma literatura autobiográfica, marginal, seca e brutalmente honesta. Nunca escrevi tentando ser nenhum dos dois.
Todo escritor carrega influências. Isso é natural. Quem lê muito inevitavelmente dialoga, consciente ou inconscientemente, com os autores que admira. Influência, entretanto, jamais significou pretensão.
Curiosamente, aqueles que pretendem diminuir meus textos acabam lhes atribuindo uma identidade suficientemente marcante para lembrá-los de autores consagrados. É uma crítica que se contradiz.
Outra coisa me chama atenção. Pouquíssimos falam efetivamente dos relatos. Preferem falar do autor.
Quando um debate abandona a obra e concentra fogo exclusivamente na pessoa que a produziu, normalmente não estamos diante de uma crítica.
Estamos diante de uma campanha pessoal.
É muito mais fácil destruir a reputação de quem escreve do que enfrentar aquilo que foi escrito.
Escrevo há décadas.
Milhares de relatos.
Milhares de leitores.
Amizades que permanecem até hoje.
Pessoas que me conhecem fora da internet.
Nenhuma dessas relações foi construída sobre boatos. Foi construída sobre convivência. Quem me conhece de verdade sabe exatamente quem sou. Quem não me conhece prefere acreditar em narrativas fabricadas por terceiros. Cada um faz a sua escolha.
Não escrevo para convencer quem decidiu me odiar antes mesmo de conhecer os fatos. Também não escrevo para disputar concurso de popularidade. Escrevo porque gosto de escrever.
No fim, o que realmente permanece é algo muito simples. Entre tantas acusações, não apareceu uma única prova objetiva. Não apareceu uma única mulher confirmando aquilo que dizem. Não apareceu um único fato irrefutável. Não apareceu uma única evidência capaz de sustentar toda essa construção. Sobrou apenas aquilo que sempre sobra quando a inveja encontra o anonimato.
Muito barulho.
Pouca inteligência.
Nenhuma prova.
E, como todo castelo erguido sobre calúnias, basta exigir evidências para que a estrutura inteira comece a desmoronar. Afinal, a verdade não precisa ser repetida cem vezes para existir. Já a mentira depende justamente disso: de repetição, plateia e memória curta. Quando desaparece o maestro da narrativa e os seus repetidores, sobra apenas o silêncio — e o silêncio costuma ser o lugar onde as calúnias finalmente morrem.
Eu poderia contar muitas histórias reais e feias sobre o propagador das mentiras, mas quando as mentiras morrem, melhor deixa-las sepultadas. Fica o alívio de não precisar mais conviver com elas.
Respiro com os pulmões livres e eufóricos por não integrar um antro de alcoviteiros (hoje apelidado de "Arebichas" pelas meninas) do qual eu saí por vontade própria, por ver a ideia que ofereci ao personagem agora eternamente ausente ser deturpada e transformada em um poço de baixezas morais.
Quem não tem mérito, tem raiva.