"Quando eu lhe dizia:
Me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada.
Você sorriu e disse:
Eu gosto de você também."
(RUSSO, Renato, 1993)
Vivo a solitude antes de conhecer o real significado, antes de a palavra entrar na moda. Já visualizando os 40, a possibilidade de ficar para tio me assusta cada vez menos. A caminhada me ensinou que as relações são descartáveis e as pessoas têm preguiça de conhecer umas às outras.
Nos aplicativos de relacionamento, os filtros são cada vez mais grotescos. A procura por quem mais se assemelha geralmente atrapalha enxergar a irritação e a repulsa que a própria pessoa causa. Hoje, na primeira conversa, a maior curiosidade não é saber se a pessoa tem metas claras de vida, nem o que ela acha sobre relacionamentos, mas sim as bandeiras que defende ou qual número vai apertar na urna.
Nas minhas idas à putaria, na maioria das vezes opto por chegar aos lugares pelos trilhos, e é de lei se apaixonar por alguém nos vagões. Costumo dizer que o trem é um país em movimento exibindo o que tem de mais bonito e mais triste. Pessoas que fazem essa nação se desenvolver — ou pelo menos subsistir —, exaustas antes mesmo de chegar ao local da labuta, misturadas a quem tenta sobreviver vendendo ou pedindo algo. Essas são as mesmas que retornam para casa mais tarde, ainda mais cansadas e já pensando na rotina dura do amanhã. Contudo, não lhes falta fé, e por vezes conseguem até carregar um sorriso no rosto, nessa estranha mania de acreditar que a vida vai melhorar.
Gente que vem da Baixada Fluminense, da Zona Norte, da Zona Oeste... ninguém está ali espremido torcendo para um assento esvaziar por puro romantismo. Eu, ali no meio deles, sinto-me culpado e, ao mesmo tempo, um privilegiado por estar indo ter com alguma puta uns momentos de lazer.
No bolso, uma quantia separada para fortalecer alguém que precisa — porque a caridade feita com amor pode até não diminuir meus pecados, mas ameniza a dor do próximo — também é de lei.
Numa dessas ocasiões, a caminho de conhecer a Lara na Bel Prazer — dessa vez no metrô —, vi uma preta retinta se aproximar e se posicionar ao meu lado na barra de segurança, fazendo meu coração disparar. Cabelo bem cuidado, sovacos perfeitamente depilados, cheirosa e em bela forma. Gamei. Travei uma luta árdua com o meu pescoço para não constrangê-la e tentei aproveitar ao máximo o que a minha visão periférica conseguia me entregar.
Sabendo que não teria chance com ela na vida civil, sobrou-me a esperança de que o sexo pago fosse seu meio de sobrevivência. Passei, então, a torcer para que soltássemos na mesma estação de destino e, caso isso acontecesse, intentaria descobrir se o seu paradeiro se daria em um desses prédios onde o entretenimento adulto acontece, o que me dava condições de alugar seu amor por alguns minutos. A menina soltou duas estações antes e eu me vi obrigado a voltar meus pensamentos à Lara.
Chegando na casa, pedi apresentação a fim de confirmar o que rolava nas fotos e nos vídeos, e também para futuros alvos. Tinha uma segunda opção em mente caso a menina não correspondesse, mas, na minha opinião, ela foi, com sobras, a mais bonita e fiel do recinto. Falei da minha escolha para a gerente e pedi uma alcova por 40 minutos.
Recebi uma toalha ensacada e me dirigi ao segundo andar aguardando sua chegada, e ela não se demora.
A beleza de Lara é rara, casando perfeitamente com a simpatia e o bom humor. Resumindo: uma companhia agradabilíssima.
Eu apenas de toalha, a mocinha já foi logo sentando na cama e se despindo para a minha ereção se manifestar. O beijo, esse cartão de visitas super importante, confirmou que o enrosco seria bom. O perfume, a pele sedosa, tudo contribuía para o pau teso fazer menção de babar.
Lara fechava os olhos e gemia enquanto tinha o corpo percorrido pela minha língua. A mão boba, ia punhetando o precoce e quase me fazendo gozar. Quando permiti que iniciasse o boquete, senti que aquela boca me faria explodir muito rápido se eu não pedisse para parar. Trocamos e foi minha vez de chupar sua buceta que, de tão limpa, cheirava a sabonete.
Úmida e inquieta, rebolava na minha boca e desarrumava a roupa de cama com gemidos. Não resisti e acabei gozando só de vê-la daquele jeito, necessitando realizar uma nova higiene. Fiquei um pouco constrangido, mas ela, com aquela graça ímpar, deixou tudo mais leve e engraçado brincando com a situação. Voltamos aos beijos e agora eu já podia aproveitar com mais conforto daquele oral que agasalhava a pica toda na boca super quente.
Dado o reduzido tempo de contrato, mais o descontrole que meu membro sentia frente àquela verdadeira deusa de ébano, achei prudente pedir a camisinha para eliminar o risco de sujar a boca dela e de terminar a transa sem penetrá-la. Começamos com ela por cima, sentando no meu colo e se inclinando para trás. Ela pedia mais e eu, fazendo o possível, só conseguia socar macio, macio.
Passamos para a posição com ela em quatro, onde se comportava da mesma forma levada do oral, jogando a bunda para trás enquanto levava as estocadas, até finalizar no papai e mamãe enquanto beijava-lhe a boca e tudo que estava próximo dela. Nisso, vi que 40 minutos com Lara era pouco.
Nos restavam 10 após a higiene, mas o garoto, nem sob esforço da menina, voltou a ter uma ereção suficiente para uma rapidinha. Nos vestimos, demos um último beijo que, espero eu, seja de até logo, e ela desceu na frente.
Não sei qual meio de transporte a dama usa no ir e vir, mas tenho certeza de que ela desperta incontáveis paixões diariamente.
Agradeço a quem leu, um abraço e até a próxima!
